Planejamento reverso: conceito e como aplicar

O planejamento é uma ferramenta essencial para que possamos promover ações assertivas que oportunizam a aprendizagem de nossos estudantes, de modo progressivo e significativo.

Planejar a aula não pode ser uma ação burocrática, mas sim um trabalho constante de avaliação, aplicação e avaliação, de nossas ações e de nossos estudantes. É a possibilidade de construir caminhos e não apenas informar sobre o que se deseja discutir.

É uma ação necessária para direcionar o trabalho docente, por isso a prática do registro diário e a análise dos resultados a partir dos critérios definidos se faz necessário.

Com este foco surge o conceito de Planejamento Reverso, uma metodologia que organiza o planejamento a partir do que queremos que os estudantes compreendam ao final da experiência de aprendizagem para, a partir daí, realizar a escolha da ação pedagógica. É inverter nosso pensamento, “começar pelo fim”, pelos critérios avaliativos que nortearão todos os próximos passos.

É um convite a revermos o nosso olhar avaliativo, onde percebemos que a aprendizagem de nossos estudantes é mais do que adquirir uma habilidade ou saber alguma coisa. Quando planejamos para o outro aprender e definimos o que desejamos que o outro compreenda, entendemos que as ações propostas devem levar a um aprendizado significativo, profundo e duradouro dos saberes conceituais, procedimentais e atitudinais. 

O planejamento reverso nos faz mudar o foco do que precisa ser ensinado aos estudantes em propósitos de por que ensiná-los, desenvolvendo competências para a vida como nos propõe também a BNCC, e não apenas conteúdos para aprender na escola.

Passamos a desenvolver um olhar avaliativo nos processos de aprendizagem e não apenas nos produtos de atividades. Como descrito no quadro abaixo, é necessário que todas as ações que tenhamos claro o que desejamos que o outro aprenda e que saibamos observar os caminhos desta aprendizagem, pois será a partir destas análises que traçamos os próximos passos.

Fonte: Planejamento e compreensão – pág, 148

Fica claro que a grande mudança que o planejamento reverso nos propõe está na necessidade do entendimento dos processos de aprendizagem, compreendendo que não é possível generalizar as aprendizagens como fazíamos com as ações para ensinar.

Eu posso lecionar na mesma turma, por exemplo 5º ano A pela manhã e 5º ano B a tarde. Tenho metas comuns para as duas turmas, mas não posso traçar os mesmos caminhos para que as atinjam. Cada grupo tem seu processo, suas necessidades e seu modo de aprender. 

Comece definindo seus critérios avaliativos, que como conceitua LUCKESI (2011): “(…) depende de um conjunto de decisões que tomamos. O critério define o que queremos como resultado de nossa atividade e, desse modo, estabelecer a direção tanto para o ato de ensinar quanto para o de avaliar.” Na sequência, determine a habilidade que deseja que o estudante desenvolva, escolha os conteúdos que auxiliem neste processo, selecione estratégias que realmente desafiem os estudantes e estejam articuladas com as habilidades. Ouça a turma, peça que te contem o que estão fazendo, analise os processos de construção, não olhe resultados, olhe caminhos. Faça anotações destes processos relacionando-os aos critérios que tinha definido. Releia estes resultados e planeje as próximas ações.

Anote as impressões, os resultados, as falas dos estudantes. Analise o que foi feito e anote suas impressões. Leia suas anotações para pensar as próximas ações: 

1. O que funcionou? O que não funcionou?
2. Qual foi a coisa mais interessante em classe esta semana?
3. O que a tornou tão interessante? Qual foi a coisa mais chata que fizemos em classe nesta semana? O que a tornou tão chata?
4. O que funcionou melhor para você nesta semana nesta classe? Em outras palavras, que atividade, lição, técnica ou ferramenta específica o ajudou a aprender mais? Por quê?
5. O que não funcionou para você nesta semana? Que atividade, tarefa ou lição foi a mais confusa ou sem utilidade? Por quê?

Fonte: Planejamento para compreensão – pág. 264

Vamos aceitar este convite? Que tal mudar o olhar ao planejar nossas aulas? Planejar para o outro aprender significa personalizar caminhos, saber analisar resultados, buscar possibilidades, ouvir atentamente os estudantes.

Para saber mais:

MCThigue, Jay, WIGGINS, Grant. Planejamento para compreensão: Alinhando Currículo, Avaliação e Ensino por Meio da Prática do Planejamento Reverso. 2.ed. Penso. 2019.

Pita, Tatiana. Planejar para o outro aprender. São Paulo. Format. 2024

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Artigo escrito por:

Tatiana Pita

Tatiana Pita

Pedagoga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com especialização em Psicopedagogia pela UNIP. Mestre em Educação pela PUC-SP, no programa História, Política e Sociedade, atua como docente nos cursos de graduação em Pedagogia e em programas de pós-graduação na área educacional.