A escola é formada por pessoas, sua existência dá-se num contexto sociocultural concreto e o respeito as muitas histórias, valores e pontos de vista precisa estar presente nas ações pedagógicas que conduzem a formação integral dos estudantes.
Como descrito na BNCC: “(…) a escola, como espaço de aprendizagem e de democracia inclusiva, deve se fortalecer na prática coercitiva de não discriminação, não preconceito e respeito às diferenças e diversidades.” (BNCC – pág. 14)
O ambiente escolar deve garantir aos estudantes a construção de suas identidades individuais e de grupo, de modo a exercitarem o direito e o respeito à diferença. Isto implica a não deixarmos de dialogar sobre a pluralidade: de gênero étnico-racial e de orientação sexual, de valores e crenças, de posição social, cultural, de características físicas e de talentos.
Isto significa que não podemos tratar desta pluralidade em datas comemorativas ou atividades focadas. Deverá fazer parte da rotina, dos textos, das imagens, dos diálogos em sala, em todos os componentes curriculares.
Na formação integral dos alunos é preciso assegurar que aprendam a:
- Escutar.
- Formular argumentos.
- Avaliar argumentos e situações.
- Trabalhar em equipe.
Deste modo desenvolvemos competências importantes para a convivência com a pluralidade presente na sociedade em que estamos inseridos.
Ao organizarmos currículo é preciso contextualizá-lo, promover a abertura para o novo, sendo capaz de absorver e reconhecer o destaque para a afirmação da identidade, considerando os valores culturais dos alunos e de suas famílias, colaborando para que todos respeitem os valores positivos desta pluralidade, combatendo as práticas preconceituosas ou aumentando a desigualdade.
A BNCC e o currículo escolar “(…) se identificam na comunhão de princípios e valores que, como já mencionado, orientam a LDB e as DCN. Dessa maneira, reconhecem que a educação tem um compromisso com a formação e o desenvolvimento humano global, em suas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica.” (BNCC – pág. 16)
Nós educadores precisamos ter como foco em nossos planos, nas imagens que usamos para decorar as salas, nossas falas, nas escolhas das ferramentas pedagógicas, no protagonismo oferecido aos estudantes, a pluralidade presente no mundo e na sala de aula. Dar vez e voz para os estudantes, incentivá-los a resolverem situações-problema, a buscarem novas possibilidades de respostas, apresentar suas hipóteses, discuti-las.
Precisamos ter sempre claro que generalizar aprendizagens e comportamentos não faz parte de um ambiente que preza a equidade e valoriza a pluralidade. É necessário avaliar os processos de aprendizagem de cada estudante e propor caminhos para sua real formação.
A escola pode ser um espaço em que a pluralidade é respeitada ou negada. A nossa relação com os estudantes determinará o que será este espaço. Quando reconhecemos a pluralidade e sua importância, teremos um recurso social de grande potencial pedagógico e libertador.
#Ficaadica:
- Traga sempre vários posicionamentos para apresentar uma discussão.
- Trabalhe com a variedade de imagens em todos os componentes curriculares.
- Apresente as discussões em lugares variados.
- Para as turmas de Educação Infantil tenha uma caixa de imagens na sala para as crianças terem contato com o maior número de exemplos possíveis (p.ex. figuras humanas, residências, paisagens, etc.)
- Proponha atividades em que os alunos são convidados a resolvê-las com suas estratégias.
- Abra espaços de diálogo e trocas de opiniões, de resoluções, de estratégias.
- Discuta questões sociais e promova ações colaborativas entre os alunos.
- Promova atividades em equipe e convide os alunos a variarem a formação dos grupos. Quanto mais temos contatos com pessoas de opiniões diferentes, mais aprendemos a lidar com conflitos e a partilhar saberes em prol de nossos objetivos.
- Promova assembleias para tomarem decisões e lidarem com conflitos.



